Existe hoje um predomínio da banalização e superficialidade, não só do sexo, mas de tudo que é inerente ao humano. A programação educativa é muito impressionante. A maioria das relações diariamente apresentadas é superficial. O ser pouco vale em relação ao Ter. Ter o que? Um corpo perfeito, que atenda aos padrões legitimados pelas normas estéticas, e tudo isso conforma certo desencantamento em termos de sexo e afetividade.
A sexualidade tem múltiplas dimensões: política, econômica, sócio-cultural, mística e afetiva, porém o que a mídia impõe em absolutização do sexo (corpo, carne) é um empobrecimento da sexualidade (alma, afeto, espírito).
Afetividade e ternura são grandes virtudes a serem cultivadas num mundo de violência no trânsito, no trabalho e na vida diária. A ternura é expressão de uma sexualidade bem integrada seja em nível interpessoal ou social.
Infelizmente neste cenário de sociedade contemporânea as piores e mais "escrachadas" deformações sexuais estão ao alcance de qualquer jovem que acessa a internet, que vai a banca de revista, maneja o telefone, assiste uma novela ou os "reality shows" da vida.
A beleza e a sensualidade magnífica da sexualidade humana são descaracterizadas e desumanizadas para a alegria doentia de personalidades geralmente desestruturadas psicologicamente, que diariamente aparecem em novelas, filmes, revistas, sites "eróticos", reality shows.
Fica muito difícil a transmissão de uma visão humanizada da sexualidade associada à afetividade a quem, desde cedo e durante limiar da adolescência, se familiarizou com os desvios sexuais banalizados sob imagens grosseiras e agressivas, contrárias à natureza humana que constantemente a mídia apresenta ao seu público.
Como reagir diante do sensacionalismo exacerbado dos escândalos de pedofilia gravados em vídeo? Cenas de torturas sexuais com jovens e crianças diante das câmaras cremos que é o limite extremo!
Nos dias atuais, jovens e crianças podem acessar gratuitamente e em torno de 500 mil fotos e vídeos pornográficos, entrar no "bate papo" e viajar nas "sacanagens medíocres" que o universo virtual pode conduzir, e podemos perceber o estrago para os adolescentes que tem acesso a essas informações. A abundância e a banalização dos desvios sexuais, a "porno indigestão", dificuldades de absorção afetiva em relações ao sexo, agressividade, insegurança.
A mídia pornô intoxica o adolescente, seja nas "telinhas", seja nas músicas que povoam o imaginário juvenil de cenas picantes, grosseiras, irracionais e que reduzem sexo a corpo, a carne, menosprezando a mulher e igualando-a "a cachorra", e o homem como um ser dominador, animalesco, brutal.
Também alguns jornais de publicações de circulação nacional, são oferecidos fotos provocantes, algumas centenas de "profissionais" de ambos os sexos para encontros discretos "sem limites" como anunciam. A sexualidade vira produto de mercado. O sexo? Uma mercadoria a ser comprada, vendida. E como ficam os jovens diante deste calamitoso jogo de consumo?
Cada vez mais pesquisadores estudiosos, leigos, figuras anônimas vêm questionando, investigando, discutindo questões da sexualidade humana em grupos sociais em que a mídia escraviza e torna a criança, o jovem e o adulto reféns de uma sexualidade banal, estereotipada.
Algumas pesquisas enfatizam os preconceitos quantos as identidades de gênero que a mídia aborda mulher frágil, submissa (propagandas de mulher na volante) exemplo de beleza e juventude (apresentadoras de programas para crianças e adolescentes) o homem o forte, o poderoso, dele não se admite o choro, a fraqueza. E quais as implicações de tudo isso para a formação equilibrada da sexualidade dos jovens? Com certeza fica a possibilidade dos conflitos vindo da falta de informações, a inseguranças por conta da imposição de papéis, conflitos com relação ao outro acontecem por conta dos padrões estéticos que a sociedade impõe e a mídia massifica. Neste contexto a ação do BULLYING nas escolas é gritante e preocupante, pois os jovens são hipnotizados por padrões estéticos e não aceitam pessoas em seu meio escolar e social que não estejam de acordo com os padrões impostos pela mídia.
Mas, e a família onde se enquadra diante desses fatos?A família é como célula mãe de uma educação sexual proveitosa que pode ser desencadeada no processo de formação de todo jovem, assim como percebemos a forte influência que a mídia exerce nas formas de vida de muitos seres deste planeta. E porque não aproveitar este "poder" e difundir informação pleiteando o diálogo, o afeto, o respeito às diferenças, como fortes elementos para a construção de uma identidade sexual equilibrada em nossas crianças, jovens e adultos.
Tanto família quanto mídia tem a obrigação moral de educar os nossos jovens para uma sexualidade equilibrada, não nos reportamos ao ato sexual em si, mas de uma vida afetivo-sexual e de respeito mútuo.
É importante a informação, o diálogo a proteção equilibrada, a compreensão o estudo, os limites, a liberdade, como também é importante que as famílias e os meios de comunicação se apeguem ao respeito e travem ligações de compromisso com uma formação sexual que respeite idéias, concepções de vida e que sobre tudo esclareça, informe, dialogue de forma saudável e harmoniosa.
Profª Gildete Nunes de Sousa Martino- Especialização em Interdisciplinaridade.
Profª Gildete Nunes de Sousa Martino- Especialização em Interdisciplinaridade.
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